quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os Brutos também amam



Recentemente uma amiga me contou sobre um antigo caso de amor de sua vida, que reapareceu depois de nove anos ainda apaixonado. Hoje ela tem três filhos e é casada, e mesmo ela tendo reencontrado o grande amor de sua vida (pelo qual ainda é apaixonada), o casamento e os filhos a impedem de se entregar a essa paixão do passado.

Hoje ela mais madura reconhece que ele a amava de verdade, mas o que de fato impediu que os dois ficassem juntos, há nove anos atrás, foi justamente o simples fato dele não ter se declarado, não ter falado de seus sentimentos, não ter dado vazão ao que sentia.

Eu fiquei me perguntando depois, mas porque ele não se declarou para ela, o que o impediu de fazer isso? Parece simples para uma mulher, mas não é simples se tratando de homem.

Essa história, que mais parece roteiro de novela do Manoel Carlos, fez com que lembrasse do meu passado de amores platônicos, de minha adolescência, onde por várias vezes fui covarde em relação aos meus sentimentos. E assim como o homem do passado de minha amiga, também não me declarei sobre meus sentimentos e também fui covarde.

Poderia até ter namorado com algumas meninas que eram as razões de minhas paixões, mas devido a essa falta de tato que a natureza masculina me proporcionou, nunca consegui falar sobre meus sentimentos e com isso perdi muitas oportunidades. Preferia sofrer com aquele amor recluso com a impossibilidade daquele amor, do que ter a coragem necessária de abrir o meu coração e me declarar.

O homem sofre quando tem que lidar com questões emocionais, o homem não foi criado para sentir, não veio instalado em seu gene. O homem foi feito para ser racional, prático e o mais objetivo possível. O homem já nasce recheado de testosterona, justamente para ser o mais forte, mais decidido, mais corajoso, do que a mulher, principalmente para matar baratas, que é a tarefa do macho.

Muitas mulheres duvidam da sinceridade de sentimentos dos homens, mas eu digo que nós homens sofremos pelo nosso próprio orgulho, choramos por amor, e também nos arrependemos de amores perdidos, que muitas vezes nós não soubemos valorizar.

Até Hollywood, explora essa fraqueza do sexo masculino em seus filmes. Não é difícil achar uma comédia romântica onde um homem rude, sem sentimentos descobre o amor e se declara para a mocinha da história, sempre no final, com um ato de desespero e ao mesmo tempo um ato libertário. Onde finalmente o troglodita toma conhecimento de seus sentimentos, chega a ser comovente tal cena.

Nós homens não somos tão espontâneos quanto às mulheres, em relação ao que sentimos, por vezes sofremos muito mais devido a essa dificuldade de lidar com nossos próprios sentimentos, com nossas angustias e com nossos medos. Nós sofremos de um jeito particular, calado e quando choramos é com a luz apagada, deitado numa cama virado para a parede de preferência, para que ninguém possa ver nossas lágrimas e nossa “fraqueza” estampada.

1 Comment:

Aline Patrícia said...

Olá moço!
Apareci, e como sempre tenho gratas surpresas ao visitar este cantinho!

Falar de amor é sempre complicado, digo isso por experiência própria, sou a pessoa mais enrolada do mundo, e meus platonismos e histórias mal-resolvidas dariam um livro, que inclusive faz parte de meus futuros planos (risos).

Essa aparente indeferença masculina e o medo de mostrar o que sente e ser mal-visto infelizmente existem, e são fruto da mentalidade machista que ainda persiste nos dias de hoje...

Boa Noite

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