segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O amor platônico de Peixoto

Peixoto era um típico pacato cidadão, um funcionário público, exercia a função de escriturário no fórum de sua cidade. Nunca foi muito esforçado na vida, conseguiu seu emprego graças a seu primo o Alcebíades, que também trabalha no fórum, e que deu um jeitinho de encaixar seu primo tão querido em troca do perdão de uma dívida do Passat 89 que tinha comprado a 4 anos de Peixoto que só tinha pago as rodas do pobre carro.

Peixoto apesar dos seus 37 anos, ainda morava com os pais, era incapaz de procurar sua independência, pois necessitava de sua mãe até mesmo para fazer sua marmita.

Peixoto nunca foi um homem garboso, muito tímido teve poucas mulheres em sua vida, tinha esperança de encontrar uma mulher bonita, bem de vida e que lavasse as suas cuecas.

Peixoto como de costume, pegou o ônibus 8144 às 07h30min, que o levava até o centro de sua cidade onde se encontrava o fórum em que trabalhava.

Apesar do frio de uma segunda-feira de inverno, o dia enfim clareou para Peixoto quando viu uma linda morena passar pela catraca do ônibus em que estava.

Era mulher mais linda que ele já tinha visto em toda sua modesta vida, era uma morena clara de lábios carnudos, possuía um brilho diferente em seu olhar, um brilho que ao mesmo tempo o amedrontava o fascinava com a mesma intensidade.

Seu andar era faceiro, tinha uma volúpia em seus movimentos, apesar do casaco pesado que usava e de seu cachecol em volta de seu pescoço, ela tinha um corpo escultural, coxas grossas, cintura fina, além dos seios volumosos, na qual fazia questão de exibi-los através de seu decote provocativo.

Não foi só o Peixoto que a notou, todos no ônibus pararam para notar a sua presença, despertava a cobiça dos demais homens e a inveja das mulheres presentes.

E naquela segunda-feira, Peixoto estava com sorte, pois a morena sentou justamente ao seu lado, no banco vazio que dava para o corredor do ônibus.

Peixoto nunca havia sentido isso antes, seu coração batia acelerado, suas mãos suavam, gaguejava até em pensamento, não teve coragem de olhar para o lado, muito menos de desejar um singelo e sincero bom dia.

Ficava imaginando qual seria seu nome, seria Ana, Renata, Priscila ou quem sabe Angélica... Imaginava o que ela gostava de fazer, onde ela trabalhava onde morava, com quem morava, se tinha filhos se era casada ou divorciada. E assim foi até o ponto final do ônibus 8144.

Ao descer do ônibus, Peixoto tentou segui-la nas vielas do centro, mas não conseguiu alcançá-la. O que restava a Peixoto era mais uma oportunidade de vê-la, tinha esperança de encontrá-la no dia seguinte.

Apesar de o Peixoto ter comprado perfumes e roupas novas, nunca mais Peixoto a encontrou passou-se os dias, as semanas os meses, e também o inverno e a esperança de encontrar a razão pelo seu amor platônico.

Quando o seu perfume tinha acabado e suas roupas não eram mais tão novas assim, eis que surge a sua Deusa em forma de mulher, sua tão sonhada morena dos lábios de mel. Agora já estava no verão, e ele pode apreciar com mais atenção os detalhes de seu corpo. Usava um vestido vermelho extremamente sexy, sem contar o salto alto da mesma cor.

E por um milagre ela o reconheceu de algum modo, pois se sentou justamente ao lado do embasbacado Peixoto. Era tudo o que ele queria, não poderia deixar aquela oportunidade passar e já foi logo soltando um surpreso, quase atônico “bom dia”, eis que ela responde o mesmo com um certo entusiasmo a não ser pela ronquidão de sua voz.

Peixoto logo matou a charada ela estava com aquela voz, pois estava com a garganta inflamada, pois era a única explicação pelo fato dela usar um cachecol em pleno verão de 37°.

Não deu nem tempo para Peixoto formular outra pergunta, pois a morena dos lábios carnudos levantou-se repentinamente para descer no próximo ponto, tão repentino foi a surpresa de Peixoto ao ver o cachecol cair no chão, e poder ver pela primeira vez seu pescoço desnudo.

Tal espanto tinha uma razão um certo volume na garganta da moça, um autêntico pomo de adão. Aquilo explicava o a ronquidão, na verdade a moça não estava com a garganta inflamada, aquela era a voz natural dela, ou melhor, dele. A moça dos sonhos de Peixoto na verdade era um travesti, um lindo travesti, diga-se de passagem. A vida realmente é uma piada cruel.

Agora Peixoto pensava qual seria seu nome de batismo, seria Paulo, José... Quem sabe Pedro... Isso ela tem cara de Pedrão.

6 Comments:

Alexandre Silva said...

hauahuahauhauhauah, pô cara que sacanagem! Eu matei a xarada no meio do texto, mas tive que confirmar...
E nem adianta julgar o cara, pq se for uma "Patricia Araujo" da vida nego se engana mesmo, hauhauauha...

Pobre Peixoto. Mas pelo jeito q a vida dele anda, acho q ele aceita até o Pedrão, hauhauhau

Ótimo texto!

Abraço
http://falandoprasparedes.blogspot.com

naosenhor said...

Espero que dê tudo certo entre eles. E se for Pedrão mesmo, vai ficar fofo o casal: PêPê...

huahahahuauhaha

David Aragon said...

Legal o texto. Como vc é fã do grande Nelson, o Peixoto tinha de ser funcionário público! Kkkkk!

Parabéns pelo seu blog!

CHINFRAS e TALS

Homenzinho de Barba Mal feita said...

Com certeza David, sempre quis criar um Peixoto bem ao estilo de Nelson Rodriguês...rs

Abraços!!!

Mari said...

Nooossaaaa mega maravilha essa historinha hein...rsrsrsrs

Ana Clara Cruz said...

Sempre axiste alguem que inventa uma dessas histórias .... xD Muito boa !!

Pobresinho do Peixoto !

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