sábado, 24 de janeiro de 2009

Idioma Coorporativo


Outro dia eu ouvi o consultor de empresas, Max Gehringer (aquele do Fantástico), falando sobre a questão dos chefes usarem termos que não prezam pelo entendimento geral. Seja nos relatórios indecifráveis ou no exagero dos termos em inglês.

Eu mesmo já trabalhei com gerentes, que se comunicavam através desse idioma. Executivo moderno que se preze, tem que usar um ou dois termos em inglês em cada frase. Não é necessário, mas mostra que o cursinho de inglês onde aprendeu o verbo To Be, ainda funciona.

Você o reconhece logo na reunião quando ele diz que trabalha Full Time ao invés de dizer que trabalha tempo integral, ou quando ele diz que acessou seu networking, ao invés de dizer que arrumou um emprego de auxiliar geral para seu cunhado.

Imagine então um chefe, que chama o seu auxiliar e diz: "Preciso começar o meu relatório do mês, e me faltam as informações de vendas. Dá pra você cobrar?" O subordinado, com certeza, vai sair da sala sem muito entusiasmo. Mas, se o chefe disser: "Preciso dar o start-up do meu report, mas pelo meu check-list falta o database, você faria um follow-up?" Aí, o auxiliar sai, não sem antes responder: "Yess!!"

O mundo coorporativo tem seu próprio idioma e dominar tal idioma dentro de uma empresa, significa status. Geralmente quem pronuncia tal idioma é a gerência e a diretoria. Muitas vezes não há necessidade, mas não adianta tentar simplificar quando a alta hierarquia tem o prazer de complicar.

Tem chefe que ao invés de pedir para trocarem a lâmpada queimada, pede a implementação e a substituição estratégica do equipamento periférico, para gerar o alto grau de luminosidade adequada ao ambiente criativo.

Se algum chefe disser que você precisa avaliar as vantagens da implantação imediata de um programa emergencial de governança financeira domestica balanceada, estará te aconselhando, a maneirar no cheque especial.

Agora se te pedir para estabelecer prioridades energéticas operacionais em detrimentos de impulsos que possam redundar em um processo de excesso calórico, estará pedindo para não comer doce fora de hora (no meio do expediente principalmente).

E se te pedir para esquematizar a agenda de atividades, de maneira a criar um guet-vital para o atendimento imediato as demandas biológicas essenciais, estará te pedindo para tirar um cochilo.

Então se você quer subir de cargo em sua empresa comece o cursinho de inglês da paróquia de sua cidade e a traduzir os relatórios de seu chefe, para também ter fluência no idioma coorporativo, para poder complicar um pouco mais.

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