domingo, 14 de dezembro de 2008

A Nossa História a gente inventa


Assisti no programa Altas Horas, uma entrevista da Marília Gabriela, na qual falava sobre suas entrevistas que apresentava no canal da Globo Sat, GNT. O que me chamou a atenção foi que ela disse que não precisa ser uma pessoa famosa para render uma boa entrevista, disse que qualquer pessoa pode render uma boa entrevista. Citou que até o porteiro de seu prédio pode ter uma história tão incrível como a de um Woody Allen, ou até mesmo de Bruna surfistinha da vida.

Muita gente se interessou pela história da ex-garota de programa que criou um blog com relatos picantes e virou sensação na internet brasileira. Em 2005 é lançado nas livrarias "O Doce Veneno do Escorpião --o diário de uma garota de programa". Desde então, o livro já foi traduzido para dezenas de idiomas e vendeu mais de 220 mil cópias.

Raquel Pacheco a “Bruna Surfistinha”, era a típica “patricinha” Paulistana, tendo todo tipo de bem material que quisesse. Depois que descobriu que foi adotada, fugiu de casa e começou a usar drogas e prostituir-se, quando ainda tinha 17 anos.

Atendia os clientes em bairros nobres da capital paulista, numa média de quatro por dia. Foram mais de 3 anos de árdua atividade ininterrupta que, graças ao blog, não apenas deram-lhe notoriedade, como revelaram uma rotina - muitas vezes secreta - de milhares de jovens sem estrutura que são atraídas para a chamada "vida fácil".Além do livro, essa história rendeu um filme, na qual Bruna Surfistinha faz justamente aquilo que lhe rendeu a fama.

No fim, ela largou as drogas, parou de se prostituir, ficou rica e ainda foi morar com um antigo cliente que se apaixonou. Com certeza daria uma ótima novela, não acha?

Daí eu fiquei pensando, será que minha vida daria uma boa história?
Com certeza não iria relatar a minha vida sexual, mas poderia escrever um livro autobiográfico, contando sobre a minha infância, minha adolescência conturbada, o começo da fase adulta, cheia de indecisões.

Posso também relatar a minha estada em Portugal, quando morei quase um ano ilegalmente, vendendo bolsas térmicas e aparelhos de massagem.
Também posso escrever algo mais realista, descrevendo a profissão de operador de Telemarketing no Brasil, algo como ”O diário de um operador de Telemarketing”. Será que assim eu venderia algum exemplar, para quem não fosse da minha família?

Qualquer pessoa tem uma história interessante sobre sua vida, que poderia virar livro ou um filme.

A nossa história pode ser uma ficção científica, ao melhor estilo Steven Spielberg, principalmente nos momentos, quando temos a nítida certeza, de que não somos desse mundo. Pode ser também um drama mexicano, um musical Indiano, uma comédia romântica americanizada, um suspense de Alfred Hitchcock, uma comédia escachada, uma trama Alá Quentin Tarantino, ou uma novela do Manoel Carlos.

A vida em si é um compilado de tudo. Misturando paixões, conquistas e derrotas. E é justamente isso que torna a nossa história tão especial.

E a sua de história de que jeito ela seria contada. E qual seria o enredo?

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